Cerca de 110 pessoas foram colocadas em quarentena na Índia em meio a um novo surto do vírus Nipah no país. A doença tem alto índice de letalidade e está na lista da Organização Mundial da Saúde (OMS) de patógenos com potencial epidêmico.
O isolamento aconteceu depois que dois profissionais de saúde foram tratados no início de janeiro após contraírem o vírus.
➡️ O Nipah pode causar infecções respiratórias agudas e encefalite (inchaço do cérebro). É transmitido entre humanos e também de animais como morcegos e porcos. (veja mais abaixo)
O vírus Nipah é classificado como prioritário pela OMS devido à sua capacidade de desencadear uma epidemia. Não há vacina para prevenir a infecção e nenhum remédio para curá-la.
Rosana Richtmann, médica infectologista do Grupo Santa Joana, explica que o vírus é muito agressivo do ponto de vista do sistema nervoso central.
"Os sintomas iniciais são como os de qualquer outra virose: dor de cabeça, dor no corpo, febre. Só que eles evoluem em alguns dias para um quadro de alteração do nível de consciência [...] que pode evoluir para consequências neurológicas e até para a morte", detalha o infectologista.
Ela destaca que a preocupação maior com relação ao vírus fica restrito à Índia e aos países vizinhos, que têm o principal hospedeiro do vírus, um tipo de morcego.
⚠️ Não há registros de doença no Brasil nem em outros países da América Latina. Segundo especialistas, isso ocorre porque a região não abriga o hospedeiro necessário para a transmissão.
Como ocorre a transmissão do vírus Nipah
De acordo com a OMS, a doença é considerada zoonótica – ou seja, é transmitida de animais como porcos e morcegos frugívoros para seres humanos.
➡️ O vírus também pode ser transmitido por meio de alimentos contaminados e por contato com uma pessoa infectada.
“É um vírus zoonótico, ou seja, que pode passar dos animais para os seres humanos. A transmissão de pessoa para pessoa até pode ocorrer, mas é mais comum em profissionais da saúde”, analisa Richtmann.
Ao entrar no corpo humano, o vírus afeta o sistema respiratório e o sistema nervoso central.
Quais os principais?
Nem todas as pessoas apresentam sintomas visíveis. Outras, no entanto, desenvolvem sinais e consequências como:
Sintomas semelhantes à gripe (incluindo febre, dor de cabeça, dor muscular, fadiga e tontura)
Dificuldades respiratórias
Encefalite (inflamação do cérebro que resulta em sintomas como confusão, desorientação, danos e problemas neurológicos como convulsões)
Quando o vírus progride rapidamente, há risco de coma e morte. Nos casos mais graves, os sobreviventes podem experimentar efeitos neurológicos de longo prazo.
Como é o diagnóstico?
A infecção pode ser causada com base no histórico clínico durante a fase aguda e de convalescença da doença. Os principais testes utilizados incluem a ocorrência em cadeia da polimerase em tempo real (RT-PCR) em fluidos corporais e a detecção de anticorpos por ensaio imunoenzimático (ELISA).
Outros testes utilizados incluem o ensaio de ocorrência em cadeia da polimerase (PCR) e o isolamento do vírus por cultura de células.
Alta taxa de seita
A taxa de mortalidade entre aqueles que contraem o vírus é alta – chega a 70%. Isso acontece porque não há remédio que possa combater a infecção. A única opção é controlar os sintomas.
"Não existe nem vacina, nem tratamento específico. O tratamento que a gente oferece é de suporte, isto é, hidratação e manutenção da pressão. Não existe nenhuma medicação específica", explica o infectologista.
Surtos anteriores
O vírus Nipah foi identificado inicialmente em 1999, durante um surto que afetou criadores de suínos na Malásia. Desde então, não foram registrados novos surtos desse vírus no país.
Em 2001, o vírus foi identificado em Bangladesh, onde surtos quase anuais ocorreram desde então.
Em 2018, a Índia, e mais especificamente a cidade Calecute, relatou seu primeiro - e pior - surto de Nipah, quando 17 dos 18 casos confirmados morreram.
Em 2019, um caso foi relatado no distrito de Ernakulam e o paciente se recuperou. Mas em 2021, um menino de 12 anos na vila de Chathamangalam, infectado, morreu.
Especialistas dizem que, devido à perda de habitat, os animais vivem em maior proximidade com os seres humanos, o que ajuda o vírus a saltar dos animais para os humanos.
De acordo com a OMS, outras regiões também podem estar em risco de infecção, uma vez que evidências do vírus foram encontradas em esconderijos naturais conhecidos, como a espécie de morcego Pteropus, e em várias outras espécies de morcegos em diversos países, incluindo Camboja, Gana, Indonésia, Madagascar, Filipinas e Tailândia.
FONTE: G1
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