Castro volta a dizer que não pagará recomposição e oposição reage na Alerj

 


Declaração do governador durante evento em Iguaba Grande reacende críticas de deputados, que cobram cumprimento do acordo firmado com servidores estaduais



As novas declarações do governador Cláudio Castro (PL) afirmando que não pretende pagar, neste momento, a recomposição salarial dos servidores do Poder Executivo provocaram reação de deputados de oposição na Assembleia Legislativa do Rio (Alerj).


Parlamentares criticaram a posição do chefe do Executivo e acusaram o governo de descumprir compromissos assumidos com o funcionalismo. O anúncio foi feito na quinta-feira (06), durante a inauguração do programa Segurança Presente, no município de Iguaba Grande, na Região dos Lagos.


Durante entrevista, Castro afirmou que não concederá a recomposição salarial alegando dificuldades fiscais enfrentadas pelo estado. Segundo o governador, a medida seria financeiramente inviável diante do cenário atual das contas públicas. Ele afirmou que o estado enfrenta um déficit estimado em cerca de R$ 19 bilhões.


De acordo com Castro, aproximadamente R$ 14 bilhões desse valor estão ligados à renegociação da dívida com a União, enquanto outros R$ 5 bilhões decorrem da frustração na arrecadação de royalties do petróleo. Durante a agenda oficial, o governador afirmou que não pretende mudar de posição.


“Eu não cedi até agora e não vou ceder”, declarou. Castro afirmou que o governo precisa priorizar a responsabilidade fiscal para manter o funcionamento do estado e garantir o pagamento dos salários.


Ele também disse reconhecer que a recomposição salarial é uma reivindicação legítima dos servidores, mas avaliou que conceder o reajuste neste momento poderia comprometer as contas públicas.


Críticas da oposição


As declarações geraram reação de parlamentares na Alerj. O deputado Flávio Serafini (Psol), presidente da Comissão de Servidores Públicos da Casa, criticou a justificativa apresentada pelo governo e atribuiu a situação fiscal a problemas de gestão.


Segundo o parlamentar, embora o Rio esteja em regime de recuperação fiscal desde 2017, o déficit nas contas públicas teria aumentado durante a atual gestão.


Serafini também mencionou denúncias envolvendo o governo estadual, como suspeitas de superfaturamento em obras da educação, irregularidades no programa de transplantes e investimentos no Banco Master com recursos ligados à aposentadoria de servidores.


Na avaliação do deputado, a falta de recomposição salarial não pode ser atribuída apenas à situação fiscal. “Os servidores não devem pagar a conta da má gestão e de escândalos envolvendo o governo”, disse.


Cobrança por cumprimento da lei


O deputado Luiz Paulo (PSD) também criticou a posição do governador e afirmou que a declaração representa o descumprimento de um acordo firmado anteriormente com o funcionalismo. O parlamentar lembrou que a lei da reposição salarial foi aprovada após negociação com o Poder Executivo, que concordou com os termos do parcelamento.


Segundo Luiz Paulo, ao afirmar que não pagará a recomposição, o governador demonstra desrespeito com os servidores que mantêm o funcionamento do estado. O deputado também declarou que Castro não deveria deixar o cargo para disputar o Senado antes de quitar o que classificou como dívida com o funcionalismo.


Histórico da discussão


Não é a primeira vez que o governador afirma que não pretende conceder a recomposição salarial. Em julho do ano passado, durante entrevista ao podcast Fala Guerreiro, Castro já havia declarado que o estado estaria legalmente impedido de conceder qualquer aumento aos servidores.


A declaração também gerou reação de parlamentares e representantes do funcionalismo na ocasião, que cobram o cumprimento do acordo firmado anteri

ormente com o governo estadual.



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