Douglas Ruas é eleito presidente da Alerj, em sessão contestada pela oposição

 

 

O deputado foi eleito por 45 votos a zero e pode assumir o governo do Rio; votação foi boicotada por parlamentares que denunciaram o descumprimento do regimento interno



Por 45 votos a zero, os deputados da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj) elegeram, nesta quinta-feira, Douglas Ruas (PL) como novo presidente da Casa. Assim, ele está apto a assumir o governo do Rio, que hoje está à frente do presidente do Tribunal de Justiça, Ricardo Couto, por conta da renúncia do ex-governador Cláudio Castro (PL) e da ausência de um vice-governador.


A votação ocorreu em meio a protestos da oposição, que decidiu boicotar o pleito e acionou a Justiça para tentar suspender a eleição. Dessa forma, 24 parlamentares não compareceram. A sessão durou apenas meia hora, com os deputados votando “sim” ou “não”, e Ruas foi o único candidato.


Pouco antes da votação, o deputado Chico Machado (Solidariedade), que era apontado como possível adversário na disputa, retirou sua candidatura. Ele alegou descumprimento do regimento interno como motivo para não participar do processo.


Como novo presidente da Alerj, Ruas vai conduzir o processo que conduzirá à eleição do novo governador do Rio de Janeiro, em um mandato-tampão, até a posse do futuro governador a ser eleito nas eleições de outubro deste ano.


Os oposicionistas acompanharam a sessão das galerias. Eles gritaram palavras de ordem e classificaram o processo como um “golpe”, reforçando a contestação ao rito adotado para a escolha do novo presidente.


Primeiro discurso


Em seu primeiro pronunciamento após a eleição, Douglas Ruas afirmou que assume a carga com senso de responsabilidade e destacou o contexto político de “excepcionalidade jamais vista” no estado. Ele elogiou a atuação do presidente em exercício, Guilherme Delaroli (PL), ressaltando que ele contribuiu o Parlamento em um momento considerado difícil.


Ruas também afirmou que pretende manter o diálogo com todas as correntes partidárias, independentemente de posicionamentos ideológicos. Segundo ele, o estado enfrenta um período que exige responsabilidade na condução dos serviços públicos. O novo presidente ainda enfatizou a autonomia do Legislativo estadual, afirmando que o Parlamento deve ser respeitado em suas decisões.


Por que a eleição foi realizada


Com a cassação definitiva do mandato de Rodrigo Bacellar (União Brasil) pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) na última terça-feira, o que consolidou o afastamento da presidência da Alerj, aliados políticos se mobilizaram para acelerar a convocação de sessões e garantir a maioria em torno de Douglas Ruas (PL).


Nos bastidores, também houve a preocupação entre governantes de que a oposição pudesse se reorganizar e fortalecer a candidatura de Chico Machado (Solidariedade), o que reforçou a pressão pela realização do pleito. Guilherme Delaroli, que exerceu interinamente a presidência, não integrou a linha sucessória por não ser titular da carga.


Sessão gera debate sobre rito


A sessão extraordinária para a votação foi anunciada por Delaroli após a apreciação da ordem do dia. A oposição contestou a decisão, argumentando que o regimento interno previa a realização da eleição ao longo de cinco sessões e que seria necessário aguardar a retotalização dos votos de Bacellar para recompor o plenário com os 70 deputados.


Integrantes da base governista, por sua vez, defenderam o que havia precedente para a realização da eleição em condições semelhantes, citando o caso do ex-presidente André Ceciliano, eleito em 2021 com cinco deputados a menos, em razão das prisões decorrentes da Operação Furna da Onça.


Ao fim da tarde, a Alerj publicou um Diário Oficial Extra com ata da sessão. A votação foi de forma aberta, em formato híbrido e presencial, com definição por maioria absoluta.

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