Morre no Rio o ex-deputado Antônio Carlos Pereira Pinto, aos 98 anos

 


Ex-deputado federal cassado pela ditadura militar deixa legado na política, na literatura e nas artes plásticas


Morreu na madrugada desta terça-feira (10), aos 98 anos, o ex-deputado federal Antônio Carlos Pereira Pinto. Ele estava internado no Hospital Samaritano, no Rio de Janeiro, e faleceu de causas naturais. A morte foi confirmada por familiares e amigos.


Natural de Campos dos Goytacazes, Antônio Carlos era casado com Maria Cecília Lamy e pai de Antônio Carlos Pereira Pinto Junior, já falecido, e de Nelson Pereira Pinto. Filho de Jorge Pereira Pinto e Alcinda Pinheiro Lopes Pereira Pinto, integrava uma tradicional família de usineiros do município do Norte Fluminense.


O velório será realizado nesta quarta-feira (11), das 8h às 11h, no Cemitério da Penitência, no bairro do Caju, na capital fluminense. Após a cerimônia, o corpo será cremado.


Atuação política e cassação em 1968


Antônio Carlos teve trajetória marcada pela atuação política durante um período de intensas transformações no país. Ele foi eleito deputado estadual por três mandatos e também exerceu o cargo de secretário de Agricultura do Estado do Rio de Janeiro. No Congresso Nacional, chegou à Câmara dos Deputados como parlamentar federal, mas teve o mandato cassado pela ditadura militar em 1968.


Durante sua vida pública, presidiu a Comissão de Orçamento e integrou a Frente Ampla, movimento que reuniu lideranças como João Goulart, Juscelino Kubitschek e Carlos Lacerda em defesa da redemocratização do país.


Mesmo após deixar a atuação política institucional, manteve-se ligado a causas sociais e democráticas, segundo relatos de pessoas próximas.


Arte e literatura após a vida pública


Longe dos mandatos, Antônio Carlos dedicou-se à produção artística e literária. Como artista plástico, realizou exposições no Rio de Janeiro e formou um acervo significativo de obras. Também publicou dois livros: “Quem quebrou a casa de meu pai”, lançado em 2004, e “Jesus de Gargaú”, publicado em 2006.


Amigos e familiares destacam que essa fase foi marcada por intensa produção cultural e reflexão sobre o país e a própria trajetória.


Homenagens e lembranças


A amiga Silvia Salgado lembrou ao portal Folha1 a postura do ex-deputado ao longo da vida pública e pessoal. Para ela, Antônio Carlos foi “um cara que foi lutar por ideais. Foi deputado, foi cassado, e sempre teve uma visão social muito bonita sobre o Brasil, sobre o mundo, sobre a vida. Vai aos 98 anos. Teve uma vida muito bonita, deixou amigos, deixou livros, deixou uma pinacoteca com muitos quadros, fez belas exposições no Rio. Foi uma pessoa acima de tudo muito humana, que contribuiu muito para que o mundo melhorasse. Sua passagem pelo planeta deixou bons frutos, boas energias, vá em paz amigo”, comentou.


A sobrinha Helvia Pereira Pinto Bastos também destacou características pessoais do tio e sua ligação com a família e as raízes no interior fluminense.


“Ele era uma pessoa de bom astral, espiritualizado e amoroso. Ele gostava de coisas ligadas a uma vida mais zen e procurava por isso. Ele gostava muito de conversar com os sobrinhos relembrando a vivência nas Usinas Santa Maria e Santa Isabel. Eram sempre conversas agradáveis. Político sempre ligado aos movimentos sociais e democratas. Quando deixou de atuar de forma efetiva na esfera política, dedicou-se à pintura e à escrita. Tio Tônio, que sua luz brilhe ainda mais no plano espiritual”, destacou.


Com quase um século de vida, Antônio Carlos Pereira Pinto deixa trajetória marcada pela atuação política em um período decisivo da história brasileira e por uma produção artística que atravessou as décadas finais de sua vida.

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